ULTRA-SONOGRAFIA NO ESPESSAMENTO ENDOMETRIAL

Por Dr. Cesar R. Camargo  
Dr. Cesar R. Camargo
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( 16 3610-7010

• Médico graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP.
• Residência Médica em Diagnóstico por Imagem no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
• Membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia
• Especialista em Ultra-sonografia Geral pela Associação Médica Brasileira
• Especialista em Radiologia pela Associação Médica Brasileira
• Estágio em Radiologia no MD Anderson Cancer Center - Universidade do Texas - Houston - USA.
Coordenador de Cursos de Atualização Médica da AEXA - Associação dos Ex-Alunos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
• Ultra-sonografista e Radiologista da Clínica Med – Medicina Diagnóstica – Ribeirão Preto – SP.
Diretor e Professor do CPU - Curso Prático em Ultra-sonografia - Ribeirão Preto - SP.
Coordenador da Inteligência Médica - Cursos de Atualização Médica - Ribeirão Preto - SP.

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Através da ultra-sonografia pode-se avaliar e monitorar o endométrio com bastante segurança, notadamente quando se utiliza a via transvaginal, abordagem que propicia melhor resolução de imagem e maior exatidão nas medidas de sua espessura.
Porém, a ultra-sonografia, por ser um método que avalia a anatomia macroscópica, pode não fazer distinção entre os vários tipos possíveis de espessamento do endométrio.

Neste ponto, deve-se ressaltar a grande importância da sintomatologia da paciente, assim como os achados clínicos, associando-os à ultra-sonografia, que juntos, irão sugerir o possível diagnóstico.

A imagem ultra-sonográfica de um espessamento endometrial é inespecífica, isto é, pode corresponder a vários diagnósticos diferentes, ou, inversamente, vários diagnósticos completamente diferentes, geram imagens ultra-sonográficas semelhantes.

Em vista disso, deve-se enumerar as várias possibilidades quando se estiver diante de um espessamento endometrial diagnosticado pela ultra-sonografia:

1) Período pré-menstrual: fisiologicamente, o endométrio vai aumentando de espessura na segunda fase do ciclo menstrual (fase secretora) até a menstruação e pode ser confundido com alguma patologia endometrial.

2) Gestação inicial ou incipiente: se a ovulação ocorreu normalmente por volta do 14 dia (meio do ciclo) e houve fecundação, o endométrio estará fisiologicamente espessado no final do ciclo e também pode ser confundido com patologias endometriais.

3) Restos ovulares: se uma paciente grávida de primeiro trimestre apresenta hemorragia, uma das possibilidades é a ocorrência de abortamento incompleto, sobrando restos ovulares na cavidade uterina, que irão produzir a imagem ultra-sonográfica sugestiva de espessamento grosseiro do endométrio.

4) Endometrite: a infecção endometrial produz espessamento endometrial grosseiro, indistinguível também de outras patologias, se não se levar em conta os sinais clínicos.

5) Polipose: dependendo do número e da quantidade de pequenos pólipos endometriais agrupados, pode-se ter uma imagem ultra-sonográfica de espessamento endometrial. Polipose endometrial pode levar a sangramento anormal.

6) Hiperplasia: pode ocorrer em pacientes com distúrbios hormonais ou ainda em pacientes sob terapia de reposição hormonal (estrogênica) sem oposição, em pacientes na pós-menopausa. A hiperplasia pode levar a sangramento anormal.

7) Carcinoma: espessamento endometrial grosseiro associado ou não a hemorragias. Ocorre mais frequentemente em pacientes no período pós-menopausal.

8) Tamoxifeno: espessamento endometrial semelhante ao descrito para hiperplasia, polipose e carcinoma, portanto também inespecífico ultra-sonograficamente.

Concluindo, a ultra-sonografia transvaginal pode ajudar muito na avaliação endometrial, detectando os espessamentos, podendo funcionar em muitos casos, como um método de screening. Porém deve-se conhecer as limitações do método quanto ao diagnóstico definitivo, que deverá ser sempre sugerido, juntando-se a sintomatologia da paciente e os achados clínicos. O diagnóstico definitivo somente pode ser firmado pelo estudo histopatológico do endométrio.


BIBLIOGRAFIA

1) Tratado de Ultra-sonografia Diagnóstica
Segunda edição – 1999 – Editora Guanabara Koogan S/A.
Carol M. Rumack - Stephanie R. Wilson - J.William Charboneau

2) Sonography in Obstetrics and Gynecology
Principles and Practice
5th Edition – 1996 – Prentice-Hall International Inc.
Arthur C. Fleischer - Frank ª Manning - Philippe Jeanty - Roberto Romero.

3) Diagnostic Ultrasound
A Logical Approach
1st Edition – 1998 – Lippincot-Raven Publishers
John P. McGahan - Barry B. Goldberg

4) Ultrasound – The Requisites
1st Edition - 1996 – Mosby-Yearbook, Inc.
Alfred B. Kurtz - William D. Middleton

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